
Quem sou eu que lê esta frase? Podemo-nos perguntar.
Imediatamente respondemos, sou este corpo físico que possui alguma coisa que me faz dizer – Eu sou.
Segundo as Tradições orientais, somos mais daquilo que pensamos que somos, e o que dizemos que somos é a o somatório não só de um corpo, mas de Sete. Cada um possuindo a sua própria consciência, animados por um eixo que passa pelo centro de cada um, um eixo de pura consciência; de pura vontade, de pura vida e de pura actividade. Eixo esse que é a nossa verdadeira natureza, o nosso verdadeiro Eu.
O esquema é fácil de imaginar. Imaginem que o nosso corpo físico é um disco formado da matéria física que a nossa ciência nos deu a conhecer. Exteriormente ao nosso corpo existe o mundo, e todo o universo, ou seja, um disco ainda maior de matéria física, que podemos chamar de Plano físico.
Por incrível que possa parecer, este nosso corpo físico tem a sua própria consciência, autónoma. Quando estamos no estado de vigília, a nossa consciência sobrepõe-se à consciência do nosso corpo físico e a bem ou a mal domina-a. Falamos quando queremos falar, movemo-nos quando nos queremos mover, etc. Continuando a utilizar a analogia, podemos imaginar que a nossa verdadeira natureza, esse eixo, é como uma luz que ao atravessar esse disco físico, desde o cento até à periferia é tingida pela luz que o corpo em si possui (a consciência do corpo), adquirindo as matizes desta última. Assim, a consciência que se manifesta, não é a nossa verdadeiramente, mas uma mistura das duas, que é tanto mais aproximada da verdadeira, quanto maior for a organização do corpo físico em si. Milhares e milhares de anos, fizeram com que o nosso corpo físico atingisse não o máximo da sua perfeição, pois ainda tem pela frente quase outros tantos milhões, mas todo este tempo conduziu-o a uma organização e a uma harmonização muito maior que os restantes corpos que possuímos. Assim, tal como uma corrente ecléctica que percorre o caminho de menor resistência, a nossa verdadeira consciência, na quase totalidade das pessoas, durante uma vida, apenas se manifesta no seu esplendor através do corpo físico, por ser o mais ordenado. Isto implica que aquilo que dizemos que temos consciência é infinitamente pouco. Quando dizemos que apenas entendemos um grão de areia de um universo, seria melhor reformularmos e dizermos que somente entendemos um grão de areia de quatro universos.
É essa consciência tangida, não a nossa verdadeira consciência que agora está a ler este texto.
Uma situação simples em que podemos observar a consciência própria do nosso corpo em acção é nos estados de sonambulismo. Nestas ocasiões o corpo físico simplesmente vai, comando pela sua própria consciência, consciência esta que é do tipo “hábitos”. Não entraremos muito em pormenor neste assunto.
Como disse anteriormente, possuímos mais seis corpos para além do físico, dos quais apenas vou falar de três para além daquele que já falei. São eles o corpo Vital, o Corpo Emocional e o Corpo Mental Inferior.
Para podermos visualizar como estes corpo se dispõem no espaço, podemos imaginar que o nosso corpo físico como uma esponja. O nosso corpo vital será o ar que interpenetra todos os orifícios da esponja, incluindo o espaço situado até à mínima divisão que poderá ser feita da matéria atómica física. Tal como o corpo físico, este corpo vital também possui átomos próprios de matéria não física, mas vital. Tem assim a sua forma, a sua consciência própria e também é veiculo da nossa consciência, ainda que não seja totalmente dominado pela mesma. Algumas experiências ditas psíquicas têm origem no fluir da nossa verdadeira consciência não para o corpo físico mas para este.
Imaginem agora, que, afinal o nosso corpo físico é uma esfera de matéria física e não um disco. Pois bem, os nossos restantes corpos, também podem ser vistos como esferas, mas de matéria mais subtil, esferas estas que ocupam todas o mesmo lugar interpenetrando-se, ou seja, as mais subtis interpenetram as mais densas.
O eixo que falei há pouco, o nosso verdadeiro Ser é agora o centro simultâneo de cada uma destas esferas. Ao contrário do corpo físico, esses corpos subtis ainda não se desenvolveram o suficiente, ainda não se ordenaram o suficiente, para servirem de veículo estável à nossa consciência, para que possa interagir de uma forma auto-consciente com o mundo que rodeia cada um desses corpos. Da mesma maneira que existe um universo físico cheio de seres, existe também um Universo Vital, um Universo Emocional e um Universo Mental com toda uma infinidade de estruturas animadas nas quais se pode fazer “ciência”.
Que quero eu dizer quando me referi anteriormente a ser-se auto consciente? Auto-consciente é quando se consegue conceber a ideia do eu, do objecto diferente do eu e da relação que se pode estabelecer entre eu e objecto.
No entanto, por não ser auto consciente nesses planos, não significa que não seja consciente nesses planos e não se sofra impactos dos mesmos. Um exemplo no plano físico permite perceber esta ideia. Porque estamos despertos no mundo físico, sabemos que ao chocarmos com uma parede, a dor resultante é devida ao nosso choque com a parede, algo exterior a nós. Nunca pensamos nisto, mas só conseguimos formular este tipo de pensamento porque somos auto-conscientes no mundo físico ou seja, temos consciência do eu físico, do objecto e da interacção com o objecto. Depois, a resultante do embate é toda uma interpretação física, vital, emocional e mental do sucedido e tal interpretação esboça uma reacção. No entanto, se chocarmos com uma “parede” astral também vamos sentir tal embate, mas em forma de emoção, mas como não estamos auto-conscientes astralmente, identificamos essa emoção como nossa e no entanto ela foi devido a algo exterior a nós. Outro exemplo de tal é quando na presença de uma pessoa sentimos determinadas emoções, “boas” ou “más”, tomamo-las como originárias em nós, mas poderão não o ser. Poderá ser o corpo emocional da outra pessoa a interagir com o nosso.
Se nos eliminassem o corpo físico, poderíamos continuar a pensar, emocionar somente não mais formularíamos conceitos do mundo físico nem deste sentiríamos os seus estímulos, porque não possuíramos o corpo físico para os captar. Teríamos a capacidade de recordar e a nossa consciência iria estar mais sensibilizada para os mundos subtis onde os restantes corpos habitam. No nosso estado actual de evolução, a impressão que tais mundos subtis transmitem à nossa consciência é como um ténue som comparativamente ao buzinar de uma camião que são as impressões físicas.
A Lei evolutiva conduz-nos à organização de todos os corpos da mesma forma que o físico, para serem veículos perfeitos de consciência. Como se tivéssemos que organizar o mais impuro dos vidros para que a sua estrutura se deixe atravessar pela mais pura das luzes sem interferir na mesma no seu estado de máxima organização. Todas as provas que a Natureza nos coloca e nos irá colocar serão neste sentido. Com mais ou menos equipamentos tecnológicos, seremos constantemente instigados a viver, conhecer, experimentar e retirar a aprendizagem da experiência vivida, pois será a ideia retirada dessa experiência, a emoção vivida que irá agregar, ordenar o nosso corpo subtil correspondente. Daí que o papel da Ética e da Moral seja fundamental.
É por isso, que todos os Grandes Tratados Místicos são formados por preceitos Éticos.
Toda a ideia anterior é difícil de entender, não são todas as consciências que estão preparadas para dela tirarem juízos. Para a maioria das pessoas basta saber que se deve cultivar a amizade, que é melhor ser amigo que inimigo e devem ser educadas nesse sentido. Mas para poucas pessoas, aquelas que já procuram o porquê mais para além dos porquês que lhes foram transmitidos em crianças, antes que coloquem tudo em causa e acabem por cometer actos que só lhes tragam infelicidade, talvez seja já importante saberem um pouco mais de si mesmas e da dinâmica por detrás da dinâmica aparente. Agir Eticamente e Moralmente no cumprimento do Dever é estarmos a acelerar a nossa evolução, talhando com as nossas próprias mãos no nosso Corpo não esperando que as por vezes tão duras mãos da Natureza executem esse trabalho.
Não só no Oriente encontramos esta ideia, este é o sentido da Grande Obra Alquímica. O transformar o chumbo em ouro. Transformarmos a pedra cúbica, a nossa personalidade, os nossos quatro corpos inferiores, na Pedra Filosofal.
Pensemos nisto.
Fraternamente, Azoth.
Imediatamente respondemos, sou este corpo físico que possui alguma coisa que me faz dizer – Eu sou.
Segundo as Tradições orientais, somos mais daquilo que pensamos que somos, e o que dizemos que somos é a o somatório não só de um corpo, mas de Sete. Cada um possuindo a sua própria consciência, animados por um eixo que passa pelo centro de cada um, um eixo de pura consciência; de pura vontade, de pura vida e de pura actividade. Eixo esse que é a nossa verdadeira natureza, o nosso verdadeiro Eu.
O esquema é fácil de imaginar. Imaginem que o nosso corpo físico é um disco formado da matéria física que a nossa ciência nos deu a conhecer. Exteriormente ao nosso corpo existe o mundo, e todo o universo, ou seja, um disco ainda maior de matéria física, que podemos chamar de Plano físico.
Por incrível que possa parecer, este nosso corpo físico tem a sua própria consciência, autónoma. Quando estamos no estado de vigília, a nossa consciência sobrepõe-se à consciência do nosso corpo físico e a bem ou a mal domina-a. Falamos quando queremos falar, movemo-nos quando nos queremos mover, etc. Continuando a utilizar a analogia, podemos imaginar que a nossa verdadeira natureza, esse eixo, é como uma luz que ao atravessar esse disco físico, desde o cento até à periferia é tingida pela luz que o corpo em si possui (a consciência do corpo), adquirindo as matizes desta última. Assim, a consciência que se manifesta, não é a nossa verdadeiramente, mas uma mistura das duas, que é tanto mais aproximada da verdadeira, quanto maior for a organização do corpo físico em si. Milhares e milhares de anos, fizeram com que o nosso corpo físico atingisse não o máximo da sua perfeição, pois ainda tem pela frente quase outros tantos milhões, mas todo este tempo conduziu-o a uma organização e a uma harmonização muito maior que os restantes corpos que possuímos. Assim, tal como uma corrente ecléctica que percorre o caminho de menor resistência, a nossa verdadeira consciência, na quase totalidade das pessoas, durante uma vida, apenas se manifesta no seu esplendor através do corpo físico, por ser o mais ordenado. Isto implica que aquilo que dizemos que temos consciência é infinitamente pouco. Quando dizemos que apenas entendemos um grão de areia de um universo, seria melhor reformularmos e dizermos que somente entendemos um grão de areia de quatro universos.
É essa consciência tangida, não a nossa verdadeira consciência que agora está a ler este texto.
Uma situação simples em que podemos observar a consciência própria do nosso corpo em acção é nos estados de sonambulismo. Nestas ocasiões o corpo físico simplesmente vai, comando pela sua própria consciência, consciência esta que é do tipo “hábitos”. Não entraremos muito em pormenor neste assunto.
Como disse anteriormente, possuímos mais seis corpos para além do físico, dos quais apenas vou falar de três para além daquele que já falei. São eles o corpo Vital, o Corpo Emocional e o Corpo Mental Inferior.
Para podermos visualizar como estes corpo se dispõem no espaço, podemos imaginar que o nosso corpo físico como uma esponja. O nosso corpo vital será o ar que interpenetra todos os orifícios da esponja, incluindo o espaço situado até à mínima divisão que poderá ser feita da matéria atómica física. Tal como o corpo físico, este corpo vital também possui átomos próprios de matéria não física, mas vital. Tem assim a sua forma, a sua consciência própria e também é veiculo da nossa consciência, ainda que não seja totalmente dominado pela mesma. Algumas experiências ditas psíquicas têm origem no fluir da nossa verdadeira consciência não para o corpo físico mas para este.
Imaginem agora, que, afinal o nosso corpo físico é uma esfera de matéria física e não um disco. Pois bem, os nossos restantes corpos, também podem ser vistos como esferas, mas de matéria mais subtil, esferas estas que ocupam todas o mesmo lugar interpenetrando-se, ou seja, as mais subtis interpenetram as mais densas.
O eixo que falei há pouco, o nosso verdadeiro Ser é agora o centro simultâneo de cada uma destas esferas. Ao contrário do corpo físico, esses corpos subtis ainda não se desenvolveram o suficiente, ainda não se ordenaram o suficiente, para servirem de veículo estável à nossa consciência, para que possa interagir de uma forma auto-consciente com o mundo que rodeia cada um desses corpos. Da mesma maneira que existe um universo físico cheio de seres, existe também um Universo Vital, um Universo Emocional e um Universo Mental com toda uma infinidade de estruturas animadas nas quais se pode fazer “ciência”.
Que quero eu dizer quando me referi anteriormente a ser-se auto consciente? Auto-consciente é quando se consegue conceber a ideia do eu, do objecto diferente do eu e da relação que se pode estabelecer entre eu e objecto.
No entanto, por não ser auto consciente nesses planos, não significa que não seja consciente nesses planos e não se sofra impactos dos mesmos. Um exemplo no plano físico permite perceber esta ideia. Porque estamos despertos no mundo físico, sabemos que ao chocarmos com uma parede, a dor resultante é devida ao nosso choque com a parede, algo exterior a nós. Nunca pensamos nisto, mas só conseguimos formular este tipo de pensamento porque somos auto-conscientes no mundo físico ou seja, temos consciência do eu físico, do objecto e da interacção com o objecto. Depois, a resultante do embate é toda uma interpretação física, vital, emocional e mental do sucedido e tal interpretação esboça uma reacção. No entanto, se chocarmos com uma “parede” astral também vamos sentir tal embate, mas em forma de emoção, mas como não estamos auto-conscientes astralmente, identificamos essa emoção como nossa e no entanto ela foi devido a algo exterior a nós. Outro exemplo de tal é quando na presença de uma pessoa sentimos determinadas emoções, “boas” ou “más”, tomamo-las como originárias em nós, mas poderão não o ser. Poderá ser o corpo emocional da outra pessoa a interagir com o nosso.
Se nos eliminassem o corpo físico, poderíamos continuar a pensar, emocionar somente não mais formularíamos conceitos do mundo físico nem deste sentiríamos os seus estímulos, porque não possuíramos o corpo físico para os captar. Teríamos a capacidade de recordar e a nossa consciência iria estar mais sensibilizada para os mundos subtis onde os restantes corpos habitam. No nosso estado actual de evolução, a impressão que tais mundos subtis transmitem à nossa consciência é como um ténue som comparativamente ao buzinar de uma camião que são as impressões físicas.
A Lei evolutiva conduz-nos à organização de todos os corpos da mesma forma que o físico, para serem veículos perfeitos de consciência. Como se tivéssemos que organizar o mais impuro dos vidros para que a sua estrutura se deixe atravessar pela mais pura das luzes sem interferir na mesma no seu estado de máxima organização. Todas as provas que a Natureza nos coloca e nos irá colocar serão neste sentido. Com mais ou menos equipamentos tecnológicos, seremos constantemente instigados a viver, conhecer, experimentar e retirar a aprendizagem da experiência vivida, pois será a ideia retirada dessa experiência, a emoção vivida que irá agregar, ordenar o nosso corpo subtil correspondente. Daí que o papel da Ética e da Moral seja fundamental.
É por isso, que todos os Grandes Tratados Místicos são formados por preceitos Éticos.
Toda a ideia anterior é difícil de entender, não são todas as consciências que estão preparadas para dela tirarem juízos. Para a maioria das pessoas basta saber que se deve cultivar a amizade, que é melhor ser amigo que inimigo e devem ser educadas nesse sentido. Mas para poucas pessoas, aquelas que já procuram o porquê mais para além dos porquês que lhes foram transmitidos em crianças, antes que coloquem tudo em causa e acabem por cometer actos que só lhes tragam infelicidade, talvez seja já importante saberem um pouco mais de si mesmas e da dinâmica por detrás da dinâmica aparente. Agir Eticamente e Moralmente no cumprimento do Dever é estarmos a acelerar a nossa evolução, talhando com as nossas próprias mãos no nosso Corpo não esperando que as por vezes tão duras mãos da Natureza executem esse trabalho.
Não só no Oriente encontramos esta ideia, este é o sentido da Grande Obra Alquímica. O transformar o chumbo em ouro. Transformarmos a pedra cúbica, a nossa personalidade, os nossos quatro corpos inferiores, na Pedra Filosofal.
Pensemos nisto.
Fraternamente, Azoth.
Fonte: http://fernanda-estreladamanha.blogspot.com/
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